sexta-feira, 23 de março de 2012

Crítica do filme “Jogos Vorazes”

(preciso aprender a por vídeos no blog e vou tentar fazer um esquema de postagem diferente, por enquanto é só para o Fábio ler mesmo)

A temática YA (‘Young Adults’) tem sido destaque na literatura e nos cinemas de todo o mundo. Depois do sucesso de Harry Potter e mais recentemente da febre da série Crepúsculo, a nova aposta da indústria cinematográfica para atingir jovens de 13 até 29 anos de idade é o best-seller Jogos Vorazes ( ‘Hunger Games’, de Suzanne Colins — EUA, 2008).

Como era de se esperar, a trama gira em torno da vida de alguns jovens, que misturam problemas da vida de adulto com suas emoções e seus sentimentos efervescentes das fases da adolescência. O lugar no qual o filme ocorre só é importante para situar o mote principal do enredo; trata-se dos EUA em um futuro consideravelmente longe, no qual uma terrível guerra envolvendo 12 estados norte-americanos deixou conseqüências seríssimas nas vidas das pessoas.

‘Jogos Vorazes’, que é o título do filme, faz referência ao resultado da tal guerra. Os 12 estados derrotados foram subjugados e praticamente tomados como colônias de exploração do resto do país. Para enfatizar a punição, há cada ano acontece um torneio que reúne um casal de jovens entre 12 até 18 anos, escolhidos de forma aleatória, que se enfrentam em uma arena mortal até que só sobre uma pessoa vitoriosa. Essa batalha é transmitida, ao vivo, para todo o país, tornando-se um dos principais acontecimentos televisivos do país.

A protagonista do filme é Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), que toma o lugar da pequena irmã para participar do temido confronto. As ‘oferendas’, como os participantes do evento são chamados, são tratados como celebridades dignas de Big Brother até o dia do conflito.

O que foi mais impressionante no filme foi a maneira com a qual ele é filmado. A perspectiva da câmera é uma espécie de ‘primeira pessoa’ inconsciente, isto é, o telespectador vivencia o que os olhos da protagonista vêem e acaba compartilhando suas alegrias e agonias.

No mais, o contexto é muito menos chato e apelativo do que as obras anteriores, no que diz respeito à temática geral. A situação é envolvente e nos faz pensar em uma realidade mais verossímil e menos fantástica, talvez pela seriedade com a qual a sociedade é retratada (evitarei citações de relações com 1984 ou Admirável Mundo Novo).

Em termos de áudio visual, o filme não deixa nada a desejar para as outras grandes produções adolescentes atuais. Salvo que o nível de efeitos especiais durante o contexto principal é muito menor, o que, talvez, faça com que nos aproximemos mais da protagonista e menos da fantasia propriamente dita.

As atuações dos atores, sinceramente, não merecem muito destaque, mas o conjunto da obra até que ficou muito bom. E é claro que há vários pequenos ‘furos’ na história, uma vez que se trata de uma adaptação de um livro. Então, pode ser que o filme não tenha mostrado alguns fatos que faltaram algumas explicações ou, quem sabe, ficou por conta do realismo fantástico ‘Deus Ex Machina’ mesmo...

Enfim, Jogos Vorazes é um filme que cumpre uma estética YA, que traz a tona um assunto atual na perspectiva jovial da coisa, e que surpreende aqueles que achavam que ia se tratar de simplesmente mais um sucesso comercial acéfalo. A recomendação para vê-lo não é das melhores, mas é sim muito boa.

Inspirado nos textos de Fábio Jordan em www.cafecomfilme.com.br

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Festival de Curitiba 2012

Festival de Teatro de Curitiba 2012, você poderá acompanhar novas ppostagens aqui mesmo no MateComCultura em novo formato!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Feche os olhos para Olhar

análise dirigida de: Feche os Olhos para Olhar.

Assessoria de Imprensa: O atual espetáculo da desCompanhia de dança feche os olhos para Olhar, mais que uma reflexão é uma construção viva sobre o olhar que vai se revelando através de uma organização espontânea. Como uma espécie de jogo, o espetáculo é uma experiência em tempo real, traz um sentimento de estranheza devolvendo na mesma proporção um estado de atenção, um olhar de espanto, um olhar de coisa nova. Trata-se do olhar que se faz no toque, na relação, nos sentidos e acima de tudo na percepção.
O olhar em questão é o ver que se abre para as qualidades dos outros sentidos. O que olho quando vejo? Onde está seu olhar nesse instante? Estas questões estão presentes no espetáculo não para serem respondidas, mas para se tornarem realmente vivas para cada um de nós. Uma presença orgânica nascida da percepção do momento.
O interesse pelo olhar nos proporcionou uma grande aventura por vários universos: da literatura explorando a poesia de Sergio Fingermann e de Alberto Caeiro, da filosofia mergulhando de corpo e alma nas obras de José Gil, Merleau Ponty e Georges Didi Hubermann, das artes plásticas refletindo sobre apreensões nas obras de Cézanne e Paul Klee. E é para compartilhar essa aventura que a desCompanhia de dança convida o público a fechar os olhos para olhar.

Ficha Técnica
Direção e Criação: Cintia Napoli
Bailarinos/Criadores: Juliana Adur, Peter Abudi e Yiuki Dói

Por mim: Primeiro contato com o Teatro Cleon Jacques, propriamente dizendo. O lugar é privilegiado, contando com uma vizinhança belíssima (o Parque São Lourenço, o Colégio Santa Maria e o Mercadorama). A delimitação do espaço platéia/palco já foi diferenciada. Ao se entrar no palco, pela porta dos fundos, os atores já estavam deitados no chão, em meio a passagem, sorrindo e cumprimentando a todos que os fitavam. Havia cinco pequenas arquibancadas, três do lado direito, duas do lado esquerdo, de quem entra. Algumas com bancos, outras com cadeiras divididas. Assim que a última pessoa se acomodou, a porta fechou rapidamente e o espetáculo se iniciou. O trabalho, como qualquer outro de qualidade profissional (ainda preciso procurar uma definição melhor pra isso que quero dizer) começou frio. “Lógico” pode dizer algum desavisado. Acontece que a primeira vista não dá pra saber o que vai acontecer. E conforme vai acontecendo, no começo, é chato. Sim, chato. Mas é aquela fase necessária pra te tirar da sua realidade cotidiana, dos pensamentos que te atrapalham até ali. É pra você achar chato mesmo, enquanto eles se preparam. Eles os atores, dançarinos, tudo resto. Veja como é eficiente: eles têm sua atenção pra achar que ta ruim. Agora podemos começar. Uma menina e dois rapazes. O Yuki, a moça e o cara desengonçado, mais durão. Começa com a moça. A ênfase. Ela começa de saia larga e coturno. O piso de madeira faz muito barulho. Faria, se ela não tivesse uma leveza que chama atenção. Cada vez que ela pisa no chão tem uma leveza junto de uma firmeza impressionante. Cada movimento é bastante cuidado. Eu sempre me pergunto se isso é ensaiado. Se sim, como que se ensaia uma coisa tão abstrata. Será que nas outras apresentações foi igual? De forma positiva de se perguntar. Agora começam os três a interagirem juntos. Começa algum indício de história. Há a porta aberta nos fundos, dois espelhos retos-móveis e cumpridos perto dessa porta. Agora começo a reparar realmente nos objetos cênicos. Na composição do palco. Duas mesinhas, uma arara de cabides, uma gelatina amarela sobre a mesa. Do outro lado duas moças cuidando do que parecia ser a sonoplastia e iluminação. Nada de se esconderem. Em frente a elas, um pequeno tablado com uma pequena mesa, uma chaleira e uma xícara. Sobre cada uma das duas mesinhas um aquário com tiras de papel vermelho dentro. Os três retiram uma das tiras de papel de dentro do aquário, cada um uma tira. Cada um lê a sua própria discretamente. Uma nova interação entre os três começa, a princípio confusa. Depois ainda continua confusa. Hehe. Então um dos três vai até o fundo esquerdo da mesa do som, onde agora reparemos várias linhas escritas. Cada uma descreve um movimento/ação. O cara desengonçado foi o primeiro a ir até lá, disse o que ele tirou no papelzinho e marcou como já feito no que estava escrito na parede. Repetiu com o de cada um, que disse o seu alto. Agora a moça propõe que fechemos os olhos. Ela descreve os movimentos que faz/fará ou que o valha. Uma seqüência que vamos acompanhando com a mente, sabendo exatamente o que ela estaria fazendo, com nossa imaginação. Quando abrimos os olhos, ela repete as ações que ela acabara de descrever. Assim que ela termina, o Yuki toma a cena. Ele começa numa espécie de solo. Então o rapaz desengonçado e a moça falam, como se fossem jornalistas, sobre quem é e o que parece Yuki. O japonês nascido na Bahia é um magricelo, muito magro, com movimentos extremamente leves. O pesado dele é mais leve que o leve que estou acostumado. Mas mesmo assim ele tem um equilíbrio que produz uma firmeza impressionante. Ele flutua pelo chão. Conforme iam colocando as características que atribuíam a ‘quem é o Yuki’ a dança ia mudando o ritmo. Ele ia se afetando da fala e conteúdo. Quando ele acabou, o cara desengonçado começou. O que achei que ia ser a mesma coisa e tal. Aqui é onde eu re retrato com ele. O cara pegou a moça pra dançar. Sério. Desengonçado pra dançar solo, porque em dupla... o cara moeu. Foi um tango contemporâneo. Imagine um dançarino de tango. Agora imagine um dançarino da Gotan Project. Era isso que ela era. Na hora só me vinha SEXO na cabeça. “Como assim?”. Realmente não sei explicar. A coisa fluía em dupla de uma maneira maravilhosa. Tudo bem, eu gosto mais de dança não-sólo. A próxima parte foi repetições do que foi feito anteriormente. Das tiras de papel, das interações, das frases na parede. Até que termina usando uma projeção direcionada, que vai indo até o teto. Sim, ele usaram o teto. Parafraseando o mais notável garoto propaganda da televisão brasileira, Fausto Silva, “Olôco meu”.
Análise poética.: Eu não escrevi do jeito que eu queria na análise anterior. Cada vez mais que passa o tempo com aula de expressão corporal e Fap como um todo, a concepção de moderno vai mudando. A minha. Hoje eu acho que concluí alguma coisas importantes. Principalmente uma, que vai ser o que terminará o diário de classe da primeira até a última aula da matéria. Ainda não teve, eu sei. Mas a conclusão me satisfez. Vou apostar em uma lauda só, para todas as aulas. Aqui é análise da peça, não é? Sim, é. Mas foi essa peça que me mostrou aonde a gente pode chegar se caminhar mais nessa linha da aula. Essa análise poética é assim, porque ela se trata de sentimento. Do meu sentimento, porque a análise é minha. Cada palavra que sai aqui vem de algum lugar novo, de sensação que foi produzida depois de ser afetada, como bem ouço sempre dizer nas aulas. Eu quero lembrar do que eu senti durante a apresentação e achar alguma obra que diga alguma coisa sobre o que eu quero expressar. (uma hora depois)
- Achei!
Aqui vai, cortesia do chapéu alheio:

O Intransigente

Não me chame de intransigente
Nem tente entender o que eu falar
Não pense que o mar e tão imenso
Pois tudo que eu penso é bem maior

Pensar que uma flor é um sinal
É um erro que te faz contente
Não me leve a mal, mas nunca achei
Que todo amor é uma semente

Reze pro teu santo protetor
Se pensas que a dor vai te levar
Pro eterno azul mais que distante
Não existe lá lá lá lá lá!!

(Oneide Diedrich)
Máu-ri.
Postando um trabalho da Facool
Sim, eu realmente entreguei isso.
Sim, eu acho bonito.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

In on It

Análisis da Peçis: IN ON IT

Sinopse Editoriáica: Chega à capital paranaense neste final de semana o espetáculo In on it, dirigida por Enrique Diaz. A peça apresenta uma narrativa em espiral em que dois grandes atores, Emilio de Mello e Fernando Eiras, assumem dez identidades diferentes. Depois de desconstruir clássicos em seus mais recentes, e premiados, espetáculos (Ensaio.Hamlet e Gaivota – tema para um conto curto), o ator e diretor Enrique Diaz se debruçou sobre In on it, obra do autor canadense Daniel MacIvor. O espetáculo foi descoberto por Diaz numa viagem a Nova Iorque. “Quando vi a peça em Nova Iorque, anos atrás, achei-a interessantíssima: alguma coisa incompleta, mas que seduzia pela maestria no jogo dos níveis de interpretação e pela metalinguagem. Dois atores, atuações complexas e um universo poético muito sensível. Anos mais tarde, fui com Ensaio.Hamlet para o Under The Radar Festival, festival de artes onde o Daniel MacIvor se apresentou no ano seguinte. A partir daí comecei a costurar a possibilidade de montar a peça no Brasil”, conta o diretor. (leia a matéria – www.parana-online.com.br)

Ficha Técnica
texto: DANIEL MACIVOR tradução: DANIELE ÁVILA direção: ENRIQUE DIAZ elenco: EMILIO DE MELLO e FERNANDO EIRAS iluminação: MANECO QUINDERÉ cenografia: DOMINGOS DE ALCÂNTARA figurino: LUCIANA CARDOSO trilha sonora: LUCAS MARCIER técnica alexander: VÁLERIA CAMPOS coreografia: MABEL TUDE consultoria de movimento: MARCIA RUBIN programação visual: OLÍVIA FERREIRA e PEDRO GARAVAGLIA – RADIOGRÁFICO fotografia: DALTON VALÉRIOassessoria de imprensa em SP: MORENTE FORTE assistente de direção: PEDRO FREIRE estagiária de direção: CÉCILE DANO iluminador assistente: LEANDRO BARRETO assistente de cenografia: RAFAEL MEDEIROS assistente de figurino: DENISE TUPINAMBÁ assistente de programação Visual: BÁRBARA ABBÊS e MÔNICA PUGA operador de luz: CARLOS MORAES operador de som: ROBERTA SERRETIELLO contra-regra: DOUGLAS MARIANO direção de cena: RICHARD SANTIAGO produção executiva SP: ROBERTA KOYAMA direção de produção SP: HENRIQUE MARIANO direção de produção RJ: ROSSINE A. FREITAS produção: ENRIQUE DIAZ

Por mim: No meu preferido Teatro da Caixa, no meu dia da semana preferido (Domingo) com algumas das minhas companhias que eu mais prefiro. Em um dia de tempo bonito, com friozinho característico da noite curitibensis e muito glamour no ar. Presente no Festival de Curitiba, só que sem a minha visência (eu não pude ir ver), aproveitei para conferir esse espetáculo que estava novamente por essas bandas. Essa peça. Sei lá... calma. São dois atores, com texto sem ser despretensioso. Também. São quatro atores. A iluminação e a parte sonora são incontestavelmente mais duas figuras de fato. E que falam. A palavra chave dessa peça é sincronia. Perdoem essa minha análise de hoje, depois de bastante tempo sem atualizações, já volto atropelando os bois. E nem me dei ao trabalho de tentar esconder minha parcialidade. Essa peça é um trabalho pra uma vida. Não dá pra levar em paralelo. O peso de cada ação em cada cena, a sincronia de cada passo, e digo dos QUATRO atores, é felomenal. A história passa em três momentos/tempos diferentes, como bem dizem as sinopses e coisas e tais. São entrelaçadas de forma a parecerem muito claras. Sai-se sem dúvidas do que foi apresentado. Mas pensando bem, mesmo ao ler de novo o livreto da peça, fica difícil relacionar o que foi visto com qual momento.Parece confuso né. E é. Só que os dois monstrinhos dos atores deixam isso de um jeito que agente entende tudo. Falando neles, deixa eu resumir em muitas linhas. Trabalho de sincronia é impressionante (de novo) (é, denovo). Eu consegui reparar na movimentação deles em relação à luz. O espaço era tão ocupado pelos corpos que ficou complicado notar a falta de cenário físico. É a minha justificativa dos dois outros personagens: a luz e o som. Cada vez que um personagem entrava em cena,absolutamente sabíamos EXACTAMIENTE onde se passava a situação. Pode conferir: o consultório médico, o lugar gramado das trocas de passes de beisebol, o restaurante, a sacada da frente da casa, o bordel, a casa de um, da amiga, o próprio teatro, e arrisco colocar um lugar adimensional no qual se passa vários entre cenas. Pensando então, o cenário aparecia ali, derrepentemente. O trabalho corporal tanto (no pessoal quanto no profissional) na interpretação, na mudança brusca de clima, na firmeza adequada de cada movimento, na maldita assustadora sincronia entre tudo, foi muito bem trabalhado em cada pequeno detalhe. O final da peça é surpreendentemente surpreendente. Meu mais maior atributo de encanto é o controle total com que os atores (4) conseguiam sem mais nem menos construir/começar tudo de uma vez, e com a mesma rapidez interromper/desconstruir uma cena inteira. Tipo assim, o cara derrepente é o doutor e o outro o paciente assustado/com raiva, que recebe a notícia//agora voltaram ao lugar adimensional criticam as atuações, e recomeçam no restaurante, com todo o clima mudando assim (plac! [dedos estalando]).

Doravante: Contrariando a contrariedade de não ir rever peças já anteriormente vistas, vá que provavelmente você me encontre lá de novo.

Máu-ri
Todo mundo chorou
Voltando as aulasArtes Cênicas Emocionantes

quinta-feira, 1 de julho de 2010

"Obsceno eu público"

Análise da Peça: Obsceno eu público.

Sinopse: "Obsceno Eu Público" traz para cena discursos que marcaram os anos 70, 80 e 90, mixando biografias de personagens e atores a histórias do Brasil. O ator, Mauro Zanatta, apresenta: “representantes” do povo, senhores da guerra, o embate entre o velho e o novo, o processo de “lobotomização” na alfabetização cultural das gerações dos “pequenos peleguinhos”, relações de amor, culpa e abandono na família. Neste espetáculo o “eu” do ator chama à cena o que geralmente ficaria nos bastidores. Com poesia e sátira confessa sua “crise de identidade” na política e na arte, comunicando o imaginário do teatro com o cotidiano vivido pela sociedade, tornando-se o “obsceno eu público.”

FICHA TÉCNICA
Direção: Giovana de Salles Elenco: Mauro Zanatta Pesquisadores: Camila Jorge e Gabriel Rachwal Dramaturgia:Mauro Zanatta e Gabriel Rachwal Fotografias Valdir Silva Iluminação: Wagner Corrêa Design Sonoro: Ary Giordani Cenário Alfredo Gomes Vídeos: Fábio Allon Design Gráfico:Adriana Alegria Direção de Produção: Edran Mariano Realização: Ator Cômico Produções Artísticas

Por mim: Uma peça apresentada no belíssimo teatro José Maria Santos, o filho mais queridinho do Teatro Guaíra. No belo palco do teatro estava o ator, quando já entramos, vestido, em um misto de ator Mauro/personagem Mauro. Estava falando com alguém, que conforme ele se movimentava, focava uma luz diferente, quando o ator fazia uma relação de algo bastante familiar à platéia. Alguns autores bastante conhecidos, em passagens cênicas bastantes peculiares. Então de fato a peça começou. Era um monólogo. Quem me conhece sabe que quando eu vejo que é monólogo, eu já pego as pedras. No entanto, o ator contracenava com o palco, que era composto por projeções. Contracenava, as vezes, com a própria platéia. Até com ele mesmo, como sendo realidade e pensamento, ou alguma coisa nesses parâmetros. Então ponto pro Mauro. Os movimentos corporais dele são incríveis. Ele realmente mostra uma facilidade tamanha no que eles está fazendo, que parece realmente ser fácil de fazer. Bem como um profissional de skate virando de ponta cabeça num half-pipe e caindo de pé, de forma tão perfeita, que dá pra pensar: “hunf, nem deve ter sido tão difícil assim”. Depois, a variedade de elementos que compunham andamento da peça era excelente. Certa hora há dois rádios, um bem velho e outro mais novo, que o próprio ator, em tempo real, inicia e pausa formando um diálogo feito pelas vozes gravadas. Conteúdo. Sobre o conteúdo. Interessante. É, legal... tipo, eu acredito que quando eu tiver uma experiência teatral mais afiada, tiver estudado muito mais, criado obras, ter vivenciado estréias, montado espetáculos que deram certo, outros que não deram tão certo, aí então eu acho que eu vou entender do que ele estava falando. Por enquanto limito-me a ter achado legal. Será que eu comento do stand-up que faz parte do finzinho? Se eu não estragar aqui, ele vai acabar estragando lá mesmo...? Bom, depois que acaba, o ator fala que a proposta dele é ficar lá no palco até o último ir embora, para ouvir o que agente tiver pra falar pra ele. Eu fui até lá, antes de todo mundo, e disse: “parabéns!”.

Doravante: Excelente pra psicologia e antropologia e essas coisas que a gente não se preocupa nas peças que vê. Recomendo muito pouco.


Máu-ri
Aluno voltando
Aluno revoltando
Aluno com dor de cabeça.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Ópera Atômica: As Sete Faces da Verdade

análise musicalmente humilde e empolgada: A Ópera Atômica: As Sete Faces da Verdade

Sinopse/Editorial(curitibamix.com): “De 21 a 23 de maio a CAIXA Cultural Curitiba apresenta “Ópera Atômica – As Sete Caras da Verdade”. O espetáculo é uma espécie de uma ópera cômica em quadrinhos que satiriza o exagerado e o caricatural do mundo das óperas. O autor desta obra inusitada é Nico Nicolaiewsky, conhecido nacionalmente por seu trabalho no espetáculo “Tangos e Tragédias”. Numa trama engraçada e envolvente, um matador descobre que cometeu um engano ao assassinar sua vítima, que lhe sussurrou um segredo antes de morrer. A peça foi destaque no Festival de Curitiba em 2010. Segundo Maurício Vogue, que acumula as funções de diretor cênico e ator, o cenário e figurinos são concebidos em preto e branco. “A peça tem a cara daqueles quadrinhos antigos. A estética combina o exagero com um toque 3D, os objetos do cenário parece sair para fora da cena”, conta Maurício. “Quando descobri a obra do Nico me identifiquei, pois sempre fui cantor, fiz musicais e fazia tempo que queria montar um. A obra dá muitas possibilidades cênicas e de imagem, pois a abertura para poder brincar no palco é muito grande”, completa. A montagem conta com um elenco de quatro músicos, quatro cantores e oito coristas. A escolha dos cantores foi feita tendo em mente não apenas a qualidade musical dos profissionais, mas também sua capacidade de interpretação, com o objetivo de somar à proposta musical-cênica diferenciada deste trabalho.”

Ficha Técnica:
Autor: Nico Nicolaiewsky Direção, Cênica: Maurício Vogue, Preparação Corporal&Assistência de Direção: Carmen Jorge, Direção Musical, Arranjos e regência: Gilson Fukushima, Editoração Musical: Gilson Fukushima, Sérgio Justen. Cantores: Maurício Vogue - Rodolfo, Anderson Ombrelino - Narrador, Rosana Stavis - Mulher, Cassiano Wogel - Alencar. Músicos: Sérgio Justen - Piano, Valderval de Oliveira Filho - Percussão, Adriano Vargas de Alencar - Violino, Marsal Nogueira Pinto - Contra-baixo. Coro: Giovana de Liz, Diegho Kozievitch, Wagner Jovanaci, Gabriel MAnita, Thayana Barbosa, Elaine Anderle, Ari Almeida, Débora Bergamo. Preparadora Vocal: Márcia Kayser, Preparadora do Coro: Doriane Rossi, Iluminação: Waldo Leon, Figurinos: Eduardo Giacomini, Adereços: Adriana Almeida, Cenotécnico: Bira Paes.


Por mim: Opereta (operettita, se é possível a palavra), no meu preferido Teatro da Caixa, no domingo a tardinha. Um frio com chuviscos no lado de fora, e público muito bem educado do lado de dentro. (Teatro da Caixa, te adoro). Entramos no teatro, o palco estava montado, os atores aquecendo a voz e praticamente prontos no palco. Os quatro músicos (um baixo, um violino, um teclado e tímpano) acima do palco, na parte de trás. O palco era composto por m sofá preto ao centro, uma pequena poltrona (dessas moderninhas) à esquerda, em frente a uma tv, com um cara de pijama sentado. Do lado direito do sofá, um telefone desenhado, bem evidente. Mais à direita, uma porta. O coro, composto de 08 pessoas entre homens e mulheres. Bom, essa é uma das análises mais difíceis até hoje. Tenho que me segurar pra não ficar babando em cima da montagem do senhor Maurício (belo nome) Vogue. A peça consegue misturar meta-linguagem (de inserir um narrador/personagem participante, as vezes chamando o coro de figuração, e o maestro sendo um personagem atuante também) de uma maneira primorosa. Sem se tornar ridícula. O Coro era magnífico. Ninguém desafina. Ninguém era absurdamente fenomenal, superior. Mantinham uma média excelente de regularidade entre níveis. Estavam sempre se movendo em consonância. Resultado de muito ensaio, só pode. Iluminação mais ou menos estática. Foi difícil reparar na iluminação com os músicos e a sincronia entre atores e música. Músicos excelentes mesmo. Os atores cantores muito bem preparados. Foi uma das raras experiências que em três dias de apresentações eu fui no terceiro. Eu gosto mesmo é de ir na estréia. O enredo é interessantíssimo: basicamente um assassinato, ou muitos. Realmente ele abusa da repetição, só que de maneira lógica e legal. Os elementos diferenciais dentro de cada cena são muito bem colocados. São pequenos, poucos, mas que tornam uma cena bastante diferente da outra. Não fica nada claro demais, só o suficiente. Mas não há a menor preocupação que fique. A coisa anda sozinha. O final é extremamente surpreendente, ainda por incrível que pareça. Os figurinos são belíssimos, e fazem parte ativa do espetáculo. No mais, é a primeira vez que eu reclamo que uma peça foi curta demais. Na verdade foi menos da metade do que podia ter sido.
Doravante: Tá brincando? Depois de ver isso até eu quero escrever uma ópera assim!
Máu-ri
Musicalmente operando
musicalmente cantando
forever young. I'm gonna be.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Medéia

Peça da análise humíldica: (Marcelo Marchioro´s) Medéia.

Editorial(guidasemana.com)sinóptico: Algumas questões sobre a condição feminina na Grécia antiga são retratadas na peça Medéia, que estreia dia 13 de maio e fica em cartaz até 20 de junho no Teatro Guaíra. Com adaptação do texto original de Eurípedes (de 427 a.C), na montagem, as únicas personagens em cena são Medéia, interpretada por Claudete Pereira Jorge, e sua Ama, papel de Helena Portela. Todas as figuras masculinas foram suprimidas do texto original, assim como o coro. Com direção de Marcelo Marchioro, a história se passa na cidade de Corinto, onde Jasão e Medéia vivem exilados com seus filhos. A personagem é abandonada por Jasão, que vai se casar com a filha do rei Creonte, Glauce. Ameaçada ser expulsa da cidade, Medéia vinga-se matando a noiva, o rei e, por último, seus próprios filhos. Medeía consegue que Jasão deixe seus filhos levarem presentes para Glauce, sob o pretexto de conseguir as boas graças da princesa para as crianças, que assim poderiam ficar com o pai. Dois presentes envenenados: um diadema e um véu que, imediatamente após serem vestidos, pegam fogo. Glauce morre com os piores tormentos. O rei, vendo a filha morrendo, tenta ajudá-la e também morre. Jasão corre para casa para castigar Medéia e lá encontra os filhos mortos.

Ficha técnica:
Texto inspirado na obra de Eurípedes. Direção de Marcelo Marchioro. Elenco: Claudete Pereira Jorge e Helena Portela. Assistente de Direção Cléber Braga. Trilha Original Troy Rossilho. Iluminação Erica Mitiko. Cenários e Figurinos Ricardo Garanhani. Produção NBP Produções.

Por mim:Peça assistida cumprindo a seqüência de coincidência que foi, uma vez que acabamos de ver tragédias gregas em “história do Teatro”. Seguindo a linha analítica pretendida, e a influência facultística (se eu escrevesse facultativa não ia dar o mesmo sentido, uma vez que a referida palavra já existe), propus-me observar a peça de acordo com sua iluminância e todos os demais trabalhos relacionados à iluminação. ‘Claramente’ colocamos a premissa: vamos ver se os atores fogem da luz mesmo. E assim o tentei fazer. Então, como de costume, no Guarinha empoeirado, entramos. Curiosa, a peça, começou um pouquinho atrasada, porém por justificativa aceitável: e elenco já estava disposto no palco quando abertas as portas foram. Eu poderia reclamar do atraso e que ficamos dentro do saguão do teatro, apertados e encalorados. Porém duas razões não me permitem isto fazer: primeiro, entrei antes de ver as portas abertas, ou seja, azar o meu. Inguonorante que fui, não mereço reclamar. Segundo, estavo, eu, ao lado de Letícia Sabatella. No bom português caucasiano escuro ou não: “oo muié BONITA!”. Voltando à estreiosa peça, estava eu citando o cenário. Este, então, com uma seqüência de degraus, justapostos irregularmente. Cobertos por uma lona bege. Ou seja, uma espécie de escadaria, talvez rochosa, não linear. Duas plantas, uma claramente seca e morta, outra, creio que viva. Umas espécies de tecidos cor de barro avermelhado, em número de quatro (4), desciam do teto, atrás formando o fundo. Em um deles um rosto desenhado (mas que aparecia apenas sob iluminação específica). Ainda uma face de pedra, deitada, representando o rei Creonte. A atriz Claudete Jorge expressou muito bem as palavras difíceis do texto de Medeia. A dicção desta senhora é impressionante. Talvez minha limitação técnico-cenográfica não me permita falar mais da atuação desta senhora, só que gostei. A ama não ficou muito pra trás. Pronto, agora vamos a iluminação. Muito legal. A luz da frente e a luz de trás deixavam bem claro a diferença de planos. A luz mudava o tempo inteiro, geralmente iluminando o caminho que a atriz seguia. Por uma única vez conseguimos pegar no pulo a Medeia fugindo da luz. Mais precisamente a uns dois passos à esquerda de onde ela deveria estar. A senhorita Ama, quase foi pega também. Mas ela acertou por meio passo a luz. A peça teve duração de uma hora, e pela primeira vez em tempos, não senti passar tanto. Confesso que não me atentei tanto ao texto, mas mesmo assim, nas partes em que fiquei entretido nele, gostei bastante. Por se tratar de uma tragédia grande e pesada, acredito que o fato de eu ter gostado, corresponde à peça ter sido simples, não rebuscada demais, nem cheia de elementos complicados. Assim como a iluminação, o som e as atuações foram simples. Veja bem, não to dizendo modestas, pobres ou ruins. Tou dizendo simples. Sem perfumaria e peruagem. Éééé amigo, eu não entendo, mas eu sei que sou fraquinho pra isso. Moral da História: dá pra acreditar que gostei, porque eu acho que foi muito menos chata do que eu realmente achei que seria.

Doravante: Medéia. Euclides. Euclides não, Eurípedes. Faz diferença pra você? Se fez não vá. Se não fez, pode ir. Mas dê uma olhadinha na história antes. (ler acima já dá uma boa esclarecida).

Máu-ri
Semana Elogiado
Semana Elogiando
Semana matando saudade de postar aqui!