segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Ópera Atômica: As Sete Faces da Verdade

análise musicalmente humilde e empolgada: A Ópera Atômica: As Sete Faces da Verdade

Sinopse/Editorial(curitibamix.com): “De 21 a 23 de maio a CAIXA Cultural Curitiba apresenta “Ópera Atômica – As Sete Caras da Verdade”. O espetáculo é uma espécie de uma ópera cômica em quadrinhos que satiriza o exagerado e o caricatural do mundo das óperas. O autor desta obra inusitada é Nico Nicolaiewsky, conhecido nacionalmente por seu trabalho no espetáculo “Tangos e Tragédias”. Numa trama engraçada e envolvente, um matador descobre que cometeu um engano ao assassinar sua vítima, que lhe sussurrou um segredo antes de morrer. A peça foi destaque no Festival de Curitiba em 2010. Segundo Maurício Vogue, que acumula as funções de diretor cênico e ator, o cenário e figurinos são concebidos em preto e branco. “A peça tem a cara daqueles quadrinhos antigos. A estética combina o exagero com um toque 3D, os objetos do cenário parece sair para fora da cena”, conta Maurício. “Quando descobri a obra do Nico me identifiquei, pois sempre fui cantor, fiz musicais e fazia tempo que queria montar um. A obra dá muitas possibilidades cênicas e de imagem, pois a abertura para poder brincar no palco é muito grande”, completa. A montagem conta com um elenco de quatro músicos, quatro cantores e oito coristas. A escolha dos cantores foi feita tendo em mente não apenas a qualidade musical dos profissionais, mas também sua capacidade de interpretação, com o objetivo de somar à proposta musical-cênica diferenciada deste trabalho.”

Ficha Técnica:
Autor: Nico Nicolaiewsky Direção, Cênica: Maurício Vogue, Preparação Corporal&Assistência de Direção: Carmen Jorge, Direção Musical, Arranjos e regência: Gilson Fukushima, Editoração Musical: Gilson Fukushima, Sérgio Justen. Cantores: Maurício Vogue - Rodolfo, Anderson Ombrelino - Narrador, Rosana Stavis - Mulher, Cassiano Wogel - Alencar. Músicos: Sérgio Justen - Piano, Valderval de Oliveira Filho - Percussão, Adriano Vargas de Alencar - Violino, Marsal Nogueira Pinto - Contra-baixo. Coro: Giovana de Liz, Diegho Kozievitch, Wagner Jovanaci, Gabriel MAnita, Thayana Barbosa, Elaine Anderle, Ari Almeida, Débora Bergamo. Preparadora Vocal: Márcia Kayser, Preparadora do Coro: Doriane Rossi, Iluminação: Waldo Leon, Figurinos: Eduardo Giacomini, Adereços: Adriana Almeida, Cenotécnico: Bira Paes.


Por mim: Opereta (operettita, se é possível a palavra), no meu preferido Teatro da Caixa, no domingo a tardinha. Um frio com chuviscos no lado de fora, e público muito bem educado do lado de dentro. (Teatro da Caixa, te adoro). Entramos no teatro, o palco estava montado, os atores aquecendo a voz e praticamente prontos no palco. Os quatro músicos (um baixo, um violino, um teclado e tímpano) acima do palco, na parte de trás. O palco era composto por m sofá preto ao centro, uma pequena poltrona (dessas moderninhas) à esquerda, em frente a uma tv, com um cara de pijama sentado. Do lado direito do sofá, um telefone desenhado, bem evidente. Mais à direita, uma porta. O coro, composto de 08 pessoas entre homens e mulheres. Bom, essa é uma das análises mais difíceis até hoje. Tenho que me segurar pra não ficar babando em cima da montagem do senhor Maurício (belo nome) Vogue. A peça consegue misturar meta-linguagem (de inserir um narrador/personagem participante, as vezes chamando o coro de figuração, e o maestro sendo um personagem atuante também) de uma maneira primorosa. Sem se tornar ridícula. O Coro era magnífico. Ninguém desafina. Ninguém era absurdamente fenomenal, superior. Mantinham uma média excelente de regularidade entre níveis. Estavam sempre se movendo em consonância. Resultado de muito ensaio, só pode. Iluminação mais ou menos estática. Foi difícil reparar na iluminação com os músicos e a sincronia entre atores e música. Músicos excelentes mesmo. Os atores cantores muito bem preparados. Foi uma das raras experiências que em três dias de apresentações eu fui no terceiro. Eu gosto mesmo é de ir na estréia. O enredo é interessantíssimo: basicamente um assassinato, ou muitos. Realmente ele abusa da repetição, só que de maneira lógica e legal. Os elementos diferenciais dentro de cada cena são muito bem colocados. São pequenos, poucos, mas que tornam uma cena bastante diferente da outra. Não fica nada claro demais, só o suficiente. Mas não há a menor preocupação que fique. A coisa anda sozinha. O final é extremamente surpreendente, ainda por incrível que pareça. Os figurinos são belíssimos, e fazem parte ativa do espetáculo. No mais, é a primeira vez que eu reclamo que uma peça foi curta demais. Na verdade foi menos da metade do que podia ter sido.
Doravante: Tá brincando? Depois de ver isso até eu quero escrever uma ópera assim!
Máu-ri
Musicalmente operando
musicalmente cantando
forever young. I'm gonna be.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Medéia

Peça da análise humíldica: (Marcelo Marchioro´s) Medéia.

Editorial(guidasemana.com)sinóptico: Algumas questões sobre a condição feminina na Grécia antiga são retratadas na peça Medéia, que estreia dia 13 de maio e fica em cartaz até 20 de junho no Teatro Guaíra. Com adaptação do texto original de Eurípedes (de 427 a.C), na montagem, as únicas personagens em cena são Medéia, interpretada por Claudete Pereira Jorge, e sua Ama, papel de Helena Portela. Todas as figuras masculinas foram suprimidas do texto original, assim como o coro. Com direção de Marcelo Marchioro, a história se passa na cidade de Corinto, onde Jasão e Medéia vivem exilados com seus filhos. A personagem é abandonada por Jasão, que vai se casar com a filha do rei Creonte, Glauce. Ameaçada ser expulsa da cidade, Medéia vinga-se matando a noiva, o rei e, por último, seus próprios filhos. Medeía consegue que Jasão deixe seus filhos levarem presentes para Glauce, sob o pretexto de conseguir as boas graças da princesa para as crianças, que assim poderiam ficar com o pai. Dois presentes envenenados: um diadema e um véu que, imediatamente após serem vestidos, pegam fogo. Glauce morre com os piores tormentos. O rei, vendo a filha morrendo, tenta ajudá-la e também morre. Jasão corre para casa para castigar Medéia e lá encontra os filhos mortos.

Ficha técnica:
Texto inspirado na obra de Eurípedes. Direção de Marcelo Marchioro. Elenco: Claudete Pereira Jorge e Helena Portela. Assistente de Direção Cléber Braga. Trilha Original Troy Rossilho. Iluminação Erica Mitiko. Cenários e Figurinos Ricardo Garanhani. Produção NBP Produções.

Por mim:Peça assistida cumprindo a seqüência de coincidência que foi, uma vez que acabamos de ver tragédias gregas em “história do Teatro”. Seguindo a linha analítica pretendida, e a influência facultística (se eu escrevesse facultativa não ia dar o mesmo sentido, uma vez que a referida palavra já existe), propus-me observar a peça de acordo com sua iluminância e todos os demais trabalhos relacionados à iluminação. ‘Claramente’ colocamos a premissa: vamos ver se os atores fogem da luz mesmo. E assim o tentei fazer. Então, como de costume, no Guarinha empoeirado, entramos. Curiosa, a peça, começou um pouquinho atrasada, porém por justificativa aceitável: e elenco já estava disposto no palco quando abertas as portas foram. Eu poderia reclamar do atraso e que ficamos dentro do saguão do teatro, apertados e encalorados. Porém duas razões não me permitem isto fazer: primeiro, entrei antes de ver as portas abertas, ou seja, azar o meu. Inguonorante que fui, não mereço reclamar. Segundo, estavo, eu, ao lado de Letícia Sabatella. No bom português caucasiano escuro ou não: “oo muié BONITA!”. Voltando à estreiosa peça, estava eu citando o cenário. Este, então, com uma seqüência de degraus, justapostos irregularmente. Cobertos por uma lona bege. Ou seja, uma espécie de escadaria, talvez rochosa, não linear. Duas plantas, uma claramente seca e morta, outra, creio que viva. Umas espécies de tecidos cor de barro avermelhado, em número de quatro (4), desciam do teto, atrás formando o fundo. Em um deles um rosto desenhado (mas que aparecia apenas sob iluminação específica). Ainda uma face de pedra, deitada, representando o rei Creonte. A atriz Claudete Jorge expressou muito bem as palavras difíceis do texto de Medeia. A dicção desta senhora é impressionante. Talvez minha limitação técnico-cenográfica não me permita falar mais da atuação desta senhora, só que gostei. A ama não ficou muito pra trás. Pronto, agora vamos a iluminação. Muito legal. A luz da frente e a luz de trás deixavam bem claro a diferença de planos. A luz mudava o tempo inteiro, geralmente iluminando o caminho que a atriz seguia. Por uma única vez conseguimos pegar no pulo a Medeia fugindo da luz. Mais precisamente a uns dois passos à esquerda de onde ela deveria estar. A senhorita Ama, quase foi pega também. Mas ela acertou por meio passo a luz. A peça teve duração de uma hora, e pela primeira vez em tempos, não senti passar tanto. Confesso que não me atentei tanto ao texto, mas mesmo assim, nas partes em que fiquei entretido nele, gostei bastante. Por se tratar de uma tragédia grande e pesada, acredito que o fato de eu ter gostado, corresponde à peça ter sido simples, não rebuscada demais, nem cheia de elementos complicados. Assim como a iluminação, o som e as atuações foram simples. Veja bem, não to dizendo modestas, pobres ou ruins. Tou dizendo simples. Sem perfumaria e peruagem. Éééé amigo, eu não entendo, mas eu sei que sou fraquinho pra isso. Moral da História: dá pra acreditar que gostei, porque eu acho que foi muito menos chata do que eu realmente achei que seria.

Doravante: Medéia. Euclides. Euclides não, Eurípedes. Faz diferença pra você? Se fez não vá. Se não fez, pode ir. Mas dê uma olhadinha na história antes. (ler acima já dá uma boa esclarecida).

Máu-ri
Semana Elogiado
Semana Elogiando
Semana matando saudade de postar aqui!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

AMORADORES DE RUA

pé humil aná : AMORADORES DE RUA

Sinópse: "MOSTRA DE PROCESSOS - O Projeto Amoradores vê a Rua como catalisador, como casa, como entidade, um exercício de diálogo entre linguagens artísticas distintas: teatro, fotografia, cinema, vídeo, dança, artes plásticas, arquitetura e urbanismo. A tríade: Coragem, Liberdade e Alegria, fundamenta o conceito deste trabalho e tem como fonte de inspiração e pesquisa movimentos como o modernismo/antropofagia, a tropicália e a contra - cultura. "A Rua significa e desconstrói significados, ela promove participação e divide. A Rua é cheia corpos e sistemas relacionados (diversidade), engajar a rua dentro do contexto de uma investigação artística é confrontar tal arranjo de informações, intenções, culturas e pessoas entrecruzadas através de fronteiras imaginárias e reais, históricas e transitórias."

Ficha Técnica
CURITIBA - Paraná
Nome da Produtora: Roda de Criação e Rumo Diretor: Rafael Camargo Equipe: Adriano Petermann, Alan Raffo, Analice Trindade, Diego Marchioro, Felipe de Souza, Fernando Dourado, Fernando Franciosi, Gabriel Gallarza, Giovana de Liz, Juliane Engelhardt, Leco de Souza, Leonardo Pimentel, Lu Rocha, Marcel Gritten, Marcel Szymanski, Maria Baptista, Martina Gallarza, Maurício Vogue e Stella Maris. Duração: 01h.

Por Mim: Essa é aquela famosa peça que você vai ver em uma quinta, sexta ou sábado a noite, praticamente na rua, e não paga ingresso. Óbviamente tu pensarias "Bah, ma que caquinha que serás esta bagualidade". Eis que pois a primeira cena praticamente confirma a expectativa. Porém, sem que Vossa Senhoria perceba, acaba de entrar nos ares do clima pesadamente antagônico e crítico-social do espetáculo: irás ficar curioso o tempo inteiro para ver o que virá então. Fato. Atores muito bem preparados. Tempo de cenas cuidadosamente ensaiados. Com atos meio performáticos, às vezes quase lineares, diferentes. A trilha sonóra acompanha os atores (essa é uma daquelas peças que você vai seguindo os atores pelo caminho/palco) e é tão interessante quanto possevíl. Há uso de recursos de projeção (especificamente na segunda cena), mas que não faz realmente diferença. É mais uma espécie de adereço de palco. Destaco os atores. Todos muitíssimos bons, com firmeza, atuações precisas e excelentes tempos. A iluminação era a escuridão natural, com alguns focos e refletores, por vezes velas. O que ajuda muito na manutenção quase "natural" do clima. Por sorte no dia em que vi era uma noite fria e de céu limpo. Muito bom para se ficar cheio de jaquetas, cachecoois e stand vendo uma peça boa. Faltou comentar alguma coisa? Ouvi de uma senhorita da produção que cada ator escreveu se pr[oprio texto. Bastante interessante, porque de certa forma, cada cena estabelece uma boa conexão com todas as outras.

Doravante: Não sei se haverá novas apresentações do espetáculo, mas caso haja, recomendado. Aquela história: primeira cena, te dou uma chance.

*Agora precisarei coletar um pouco mais de material para postar. Então acho bastante possivel que as postagens sejam diminuídas de ritmo. Talvez esteje, eu, falando isso porque to num dia de prgiuiça.

Máu-ri
Sexta
Prigui...
Sol eFrio. McLovin´it.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

OTELO: As Faces do Ciúme

Humilde Análise Pretenciosa: OTELO AS FACES DO CIÚME


Sinopse: "A história dentro da história apresenta a maldição a que são lançados estes seis personagens: Otelo, Desdêmona, Iago, Cássio, Emília e Rodrigo. Há quatro séculos eles vagam recontando a própria história. Os narradores são, na verdade, os próprios personagens, marcados por quatro séculos de danação. A narrativa e a ação são quase fundidas, a narração são fragmentos de memória, a ação são fragmentos da vida.
No palco nu, estas seis figuras carregam em si, sua travessia pelo tempo. Nas roupas, nos cabelos, vão juntando elementos de todas as épocas em que viveram."

Ficha Técnica
Dramaturgia e Direção: Silvia Monteiro
Produção: Danilo Avelleda Espetáculos Teatrais
Direção de Produção: Mevelyn Gonçalves
Cenário: Ruy Almeida
Figurinos e Adereços: Ricardo Garanhani
Iluminação: Nádia Luciani
Sonoplastia: Cleber HidalgoCaracterização e Maquiagem: Marcelino Miranda
Elenco: Danilo Avelleda, Mevelyn Gonçalves, Luiz Carlos Pazello, Pagu Leal, Juscelino Zílio, Rubens Siena

Por mim: Fui na estréia da peça, no Guairinha. Antigamente era o auditório da família Guaíra que eu "mais prefiro". Hoje eu tenha a impressão que eles nunca limpam lá. Em uma sexta-a-feira a noite, com tempinho frio, bem alà Curitiba. Então, logo que se fecharam as portas e a luz ia se apagando, confesso que eu, mais quem me acompanhava, fomos ligeiramente para cadeiras vazias mais da frente. Terrível. (de contar, porque de fazer é ótimo). Então deu-se início o espetáculo. Entro aqui em uma nova modalidade, humildíssimamentes falando, de crítica: a da peça que eu não gostei. Otelo. Em meu pequeno e modésto pensamento, eu acho que tentativas de releituras de monstrísses (peças monstras antígas já feitas até a fadiga) tendem a ser pretenciosas e a não terminar em coisa boa. Primeiro: para se entrar no enredo pretendido pela releitura, é necessário não só conhecer a obra anteriormente, como pelo menos tê-la lido a pouco tempo, para ter detalhes ainda frescos na cabeça. Nesse caso Shakespeariano (Otelo é de Shakespeare, né?) foi mais ou menos porae. Legal e tal. Mas adiante vamos. O cenário começou chamando atenção. Dava impressão clara de foi planejado para um palco menor. Sinceridade. Havia um quadrado suspenso, sendo que de cada lado caía um lençol branco, que podia ser movimentado. só que delimitava um pedaço de palco, deixando muita coisa vaga. A trilha sonora? Atrapalhava as vozes dos atores. Parece trapalhada né? Mas realmente atrapalhava. Por vezes perdemos o que eles diziam. (lembre-se que eu estava sentado na fileira C e a acústica do Guairinha não é a do Positivo, é boa.). Os atores. Ah os atores. Não queria comentar isso. (Mas já comentando) Uma porção de gente que me disseram pra esperar boas coisas, que são bons atores. Então, creio eu (não sei), que foi um dia infeliz. Fraquíssimos. A peça em suma foi que nem lero romance policial "A Cada Um o Seu (de Leonardo Sciascia)", bem como citado em http://www.livrada.wordpress.com/ pelo meu confrade Yuri: "achei-o chato até sua metade e, uma vez terminada a leitura, uma excelente obra. Alguns são assim mesmo, precisamos terminar a última página para perceber a grandiosidade da bagaça." Só que no caso dessa peça, não consigo dizer que foi uma excelente obra..

Doravante: Vá ao teatro! (mas não me convide).

Máu-ri
Desbravando sempre
Estudando sempre
Ludibriando, às vezes.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

The Cachorro Manco Show

humilds análisis da peçiums: THE CACHORRO MANCO SHOW

Sinópse: (tipo descrição): "Inspirado nos Sermões do Padre António Vieira, é um texto de humor ácido que atravessa momentos históricos do Brasil e de Portugal. Um homem que se equilibra sobre muletas, assumindo o "cachorro manco", tenta convencer a plateia de que merece ganhar abrigo e comida."

Ficha Técnica
RIO DE JANEIRO - Rio de Janeiro
Autor: Fabio Mendes Diretor: Moacir Chaves Elenco: Leandro Daniel Colombo

Por mim: Espetáculo já de longa datas nos palcos desse meu BRasil-il-il (citando Yuri, hoje, odeio quem fala "tupiniquim. Tupiniquim é você!). Eu assisti há pouco tempo, no meu queridinho Teatro da Caixa. Então já sabem né: confortável, lugarzinho marcado, ambiente tranquilo, paz e amor bicho. Na ocasião ouvi falar bastante do texto dessa peça. Vamos ao que eu estava tentando evitar falar. Não aguento: eu odeio monólogos. Aham, preconceito. Tá, mas eu FUI ver, não fui? "aah, mas você tá dizendo que é ruim antes de começar..". Grrrr, não! Só to dizendo que pré-conceitualmente (segundo a professora de sociologia e folklore isso é uma brincadeira com o termo preconceito) não saio correndo porae, ligando pra glahëre, dizendo - eeba hoje tem monólogo!. O que é de dar um nó na minha cabeça. Essa peça é monólogo. E eu gostei. Sério, Leandro Daniel Colombo (se repararem é o mesmo que está em Peep Show, alguns quilômetros analisados abaixo) é um cara massa. No caso ele interpreta um cachorro, qüinqüenqüenal (com uns quinhentos anos de vida) que conta a história dos donos que ele já teve. Um texto belíssimo, que o senhor Leandro faz o favor de não deixar chato. De fato é um monólogo. Mas anticonvencionalmente não é bóóóóring. É bom. É histórico. É português. O cenário é construído durante a peça. É limpo, porém não é pobre. O peso do ator, enquanto cachorro que é, nos conquista com bastante facilidade. O figurino é de ótimo gosto. Bem consonante com a história. Do tipo que o personagem já explica quem é, mesmo sem falar nada, nos dois/três primeiros munitos de peça. O enredo é claro, conciso, linear; segue uma linha cronal (tá, tá, do tempo) bem familiar a todos nós "tupenequins". Iluminação show de bola. Por vezes o ator usava alguns instrumentos sonóros, tipo uma espécie de mega-phone , bastante interessante na movimentação da peça. Tem uma duração bem legal, bastante pra ser um monólogo e conseguir não fazer o pessoal tirar la ciesta. Hoje fiz prova na facool e farei mais uma anoitchi. Então perdoem que to na base do café e do Biotônico. (citando BFF, 2010, 11:59a.m.). Terminando, trata-se de uma trágica-comédia. No meu humilde não saber, eu acho triste rir de desgraça. (não que eu não ria). Mas eu me arrependo de ter rido depois. Então caso achar muito engraçado, ria até chorar, pra caso reclamem, você poder dizer que foi um absurdo rirem disso. Indignante! Digo Parabéns publicamente para Leandro Daniel Colombo.
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Doravante: Recomendo para se ter uma experiência de que nem todo monólogo é chato. E que não precisa ser stand up bóóóóring pra ser engraçado.
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Máu-ri
Abusando dos itálicos
Deu cãimbra ontem a noite
e eu comi duas bananas correndo!

terça-feira, 27 de abril de 2010

VIDA

humilde análise da peça: VIDA

Descrição (tipo sinópse) :" Com base na obra de Paulo Leminski, a narrativa usa a inventividade, a linguagem e a força do poeta curitibano. Quatro pessoas de diferentes origens encontram-se numa cidade onde são obrigadas a permanecer em uma espécie de exílio. O fato que os une é fazerem parte de uma banda musical que prepara um show para comemorar o aniversário desta cidade. Os personagens, seus sonhos, suas histórias e a realidade prosaica de suas vidas em contraponto com as possibilidades de superação, transformação e entusiasmo são as linhas de desenvolvimento desta peça. O ponto de partida para a criação do espetáculo é o livro “Vida”, que batizou a peça e a releitura de ensaios, crônicas, prosas, música e poesia, além de entrevistas com familiares e amigos do escritor e poeta. Não se trata de uma adaptação, mas um reflexivo criativo da obra de Leminski. Uma reflexão contemporânea sobre arte e vida."

FICHA TÉCNICA
Gênero: Tragicomédia Diretor: Marcio Abreu Roteirista: Marcio Abreu Elenco: Giovana Soar, Ranieri Gonzalez, Rodrigo Ferrarini e Nadja Naira Duração: 100 minutos Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos Dramaturgia: Giovana Soar, Nadja Naira e Marcio Abreu Cenário: Fernando Marés Figurino: Fernando Marés Iluminação: Nadja Naira Trilha sonora: Andre Abujamra

Por mim: Citando meu colega que assistiu a peça uma semana antes de mim: "Uma aula de teatro!". De fato esse trabalho já começa a me agradar na primeira linha da descrição: Paulo Leminski. Eu sou fã de carteirinha desse senhor. Como se não bastasse, os atores são de um tal padrão que não estou acostumado. O senhor Ranieri Gonzalez é o que os russos costumam chamar de "ator completo". Faz barba, cabelo e bigode. Canta, dança e representa. Velocidade 5. Os demais, por mais complicado que o seja, não ficam nem um pouco para trás. Sinceramente, uma aula de teatro. O cenário é móvel, leve, grande, pequeno, fechado. A iluminação é perfeita, escura, focada, desfocada. A trilha é ao vivo, projetada, mecânica, a capela. O texto... bah, o começo da peça é Paulo Leminski do jeito que eu penso que ele seria: dando aula no cursinho. Odeio elogiar tanto uma coisa assim. Quando vinha vindo trabalhar (eu trabalho no blog), ouvia no rádio que a profissão de crítico é incitar o artista, criticando, na maneira pejorativa mesmo da palavra, de modo a fazê-lo buscar seu melhor, cada vez melhor, visando sempre a arte impossível; a melhor arte, mais bela. O que tornaria este nobre (de alguma forma) crítico 'co-autor' da obra. Então, mesmo com essa humildade toda, tenho que reconhecer que o trabalho foi de altíssimo nível. Se você fala francês, inglês, espanhol, russo, terá ainda uma diversão a mais. Veja só que amplitude vocabular. Mesmo sem ter uma história linear clara, é bastante compreensível, o enredo. Talvez foi um pouquinho mais longa do que eu esperava, mas eu fui vê-la depois de estudar a maior parte do dia né. Tenho que dar um descuento por tanto. A Companhia Brasileira de Teatro fez o nome que tem pesar. Me senti um aluno (que sou) do primeiro ano de teatro, que acaba de ver que falta muuuito até chegar no ano em que eles estão...
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Doravante: Recomendo para quem é vivo. A não ser que você não ache que valha a pena ver teatro de qualidade. Que possivelmente vai estragar as próximas peças que você vai ver, ah isso vai.
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Máu-ri
Elogiando
Eloqüentemente
Cursando o Primeiro ano

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Vigor Mortis Peep Show

Peça de teatro humildosamente analisada:
Vigor Mortis Peep Show

>> Nota interlúdica prefática: Abaixo o release do próprio site do HSBC, porque acho que ficou bem legal.

Release: “Como conclusão do projeto "Ator Prestidigitador: o intérprete do Grand Guignol", vencedor do Prêmio Myriam Muniz da Funarte, serão apresentados a partir desta sexta feira, 16 de abril, os Vigor Mortis Peep Shows. Os Peep Shows são apresentações abertas e gratuitas de mini montagens da Vigor Mortis livremente adaptadas de clássicos do Grand Guignol, o teatro de horror da Belle Époque parisiense. O objetivo do projeto é aprofundar a técnica da equipe da Vigor Mortis para as necessida-des da narrativa de horror e violência do Grand Guignol. Neste sentido, o elenco fez ofici-nas internas de coreografia de luta e de ilusionismo. A mescla entre estes dois elementos somado a um estilo de interpretação que beira o camp, fazem a linha estética da tradição do Grand Guignol. "A Vigor Mortis começou o trabalho com o Grand Guignol há treze anos, mas as experi-ências sempre eram empíricas, ou seja, sempre aplicadas diretamente a alguma monta-gem. Nunca tivemos tempo para parar, pesquisar e refletir sobre o que significa de fato isso.", explica o diretor Paulo Biscaia Filho. "Com este prêmio da Funarte, pudemos pela primeira vez pesquisar e depois ir para as montagens. E a montagem não tem o objetivo de ser uma 'verdadeira' peça de teatro. Os Peep Shows, como o nome já diz, são espia-delas neste processo e nesta estética". Os peep shows chegam agora a sua etapa final no projeto. A primeira aconteceu com as apresentações do Peep Show #1: O beijo no meio da Noite, no início de fevereiro. Nos dias 26, 27 e 28 de fevereiro foi apresentado o Peep#2: O Método do Dr. Betume. Agora o projeto encerra com apresentações dos dois primeiros 'peeps' e mais o terceiro: O La-boratório Maldito. O terceiro e ainda inédito peep show teve um processo diferente dos dois primeiros. "Em vez de repetir a mesma fórmula de dramaturgia/adequação/marcação, achamos muito mais proveitoso criar uma dramaturgia própria a partir de temas sugeridos e elementos corporais de ação e prestidigitação. A palavra não tem me interessado tanto quanto a i-magem. O texto pode ser traiçoeiro ao ator e ao diretor. Este peep show tem mais ação que os dois primeiros. Ação, imagem e impacto. Laboratório Maldito é onde o filme A Pro-fecia encontra o desenho Comichão e Coçadinha", provoca o diretor. Cada peep show têm duração aproximada de 25-30 minutos, totalizando a apresentação em 90 minutos.
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FICHA TÉCNICA E SINÓPSES
O Beijo no Meio da Noite
Sinopse: Henri isola-se em uma casa longe da cidade após ser liberado do hospital. Jeanne, noiva de Henri, em um ataque doentio de ciúmes jogara ácido sulfúrico no rosto do noivo. Agora, desfigurado e amargurado, Henri enfia-se em ópio enquanto aguarda a chegada de Jeanne para um último beijo no meio da noite.
Elenco: Wagner Corrêa (Henri), Michelle Pucci (Jeanne), Leandro Daniel Colombo (Padre Gusteau), Marco Novack (Médico)
Adaptado livremente da obra de Maurice Level por Paulo Biscaia Filho com colaboração de Rafaella Marques.
Direção: Paulo Biscaia Filho
O Sistema do Dr. Betume
Sinopse: Uma jornalista vai até um manicômio particular para conhecer o estranho méto-do de cura através do excêntrico corpo médico do lugar.
Elenco: Wagner Corrêa (Professor Pluma), Michelle Pucci (Madeleine Dupin), Leandro Daniel Colombo (Dr. Maillard), Rafella Marques (Eugenie), Marco Novack (Jean)
Adaptado livremente da obra de Edgar Allan Poe por Paulo Biscaia Filho
Direção: Paulo Biscaia Filho
Laboratório Maldito
Sinopse: Uma médica, uma freira, um padre exorcista e um homem que dá a luz a uma criatura demoníaca.
Elenco: Wagner Corrêa (Monsenhor), Michelle Pucci (Irmã), Leandro Daniel Colombo (Homem), Rafella Marques (Médica)
Concepção de roteiro e ação pela equipe da Vigor Mortis
Direção: Paulo Biscaia Filho

Por mim: Olá teatro do HSBC. Recém reinaugurado, esse ano, o espaço é interessantíssimo. Odeio o fato de alguns teatros tão bons não terem lugares marcados, como esse. Nem dá nada. É excelente mesmo assim. O senhor Paulo Biscaia, por quem já tenho admiração de média data (nem sou velho o suficiente pra admirar alguém por longa data), apresenta mais uma de suas obras sanguinolentas, perspicazes e inconvencionais. Não convencionais. Nada de absurdo. É terror mesmo. Nesse caso das três “peeps” (como carinhosamente chamarei cada uma das pequenas peças) é tragicomédiaterror. Ou que o valha. O palco nunca é uma limitação para Vigor Mortis. O uso de recursos multimídicos é bastante corriqueiro em seus espetáculos, também. E muito bem usados, diga-se de passagem. A visão frontal do palco era como se fosse uma tela de tv velha, semi arredondada. Uma ‘película’ anteposta funcionada de ‘tela’. Literalmente, porque nela eram projetadas imagens. Imagens dos atores, das cenas. As vezes closes, as vezes outros. Antes de cada peep era explicada uma breve descrição do que seria apresentado e de onde o vem. Ou seja, muitas das limitações da peça teatral convencional morriam aí. Mas para o leitor que conhece o trabalho da Companhia VigorMortis estamos sem novidades até então. Vamos aos peeps. O beijo no meio da noite: a primeira já mostra o que é que vamos ter dali pra frente. Uma trágica situação, que por vezes nos mostra passagens engraçadas, com desfecho interessantíssimo. Os atores desempenham muito bem e contracenam com os recursos que fazem o diferencial com bastante naturalidade. O Sistema do Doutor Betume mostra alguma coisa como um hospício. Da obra do metríssimo Edgar Allan Poe não podia-se esperar menos. O ritmo de humor vai aumentando, com cenas já mais espalhafatosas, mas com muita tensão no ar. Até chegar Laboratório Maldito, com sua anticristandande, muito sangue e tragicomicidade risóles chique pra 3 pessoas.

Doravante: Recomendo pra quem tem impressão que teatro não tem explosões, sangue, baiacu, nem quadrinhos.

Máu-ri
Peguei a camiseta que
os atores jogaram pra platéia
e to com ela hoje! Rá!